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A ciência do Sonho:
revista Galileu de maio/2009.
"Eu acordei com uma música maravilhosa na minha cabeça. Fui até o
piano e comecei a achar as notas. Tudo seguiu uma ordem lógica.
Gostei muito da melodia, mas, como havia sonhado com ela, não podia
acreditar que tinha escrito aquilo. Foi a coisa mais mágica do
mundo."
É dessa maneira que Paul McCartney explica a criação de "Yesterday",
45 anos atrás. A canção até hoje figura no livro Guinness dos
Recordes como a música que ganhou o maior número de versões cover na
história, por volta de 3 mil.
Deixando um pouco de lado a necessária dose de genialidade para a
composição de um clássico dessa magnitude, sobram questionamentos
sobre se o que aconteceu com o sonho do Beatle foi uma obra do
acaso, uma predisposição genética ou uma técnica que pode ser
decifrada e difundida. E hoje, como nunca antes, os cientistas se
debruçam sobre os meandros do que acontece conosco enquanto
dormimos, tentando descobrir seu mistério e, quem sabe, ajudar algum
compositor dorminhoco a escrever uma nova "Yesterday".
SEPARAÇÃO - Pesquisa com casais em processo
de divórcio mostrou que os sonhos refletem o relacionamento,
inclusive as brigas e reconciliações
É fato que os sonhos sempre intrigaram e foram objeto de estudo,
mas o que está acontecendo agora é que eles estão sendo levados mais
a sério por neurologistas, psicanalistas e biólogos. Enquanto a
biologia procura explicar quais são as estruturas cerebrais
envolvidas, a psicanálise se põe a investigar seu conteúdo. Da união
dessas duas disciplinas nasceu a neuropsicanálise, uma tentativa de
entender os aspectos físicos e psíquicos do sonho.
Nos últimos 50 anos, apesar de a ciência entender cada vez mais
como nosso cérebro funciona quando estamos dormindo, os sonhos foram
tratados como um subproduto do sono. Em 1983, o britânico Francis
Crick, famoso por descobrir a estrutura do DNA, e seu colega Graeme
Mitchison publicaram um trabalho afirmando que os sonhos funcionavam
como uma espécie de lixeira virtual, descartando todas as memórias
"inúteis" acumuladas durante o dia. Era o ápice da negação aos
estudos do austríaco Sigmund Freud (1856-1939) - pai da psicanálise
e autor de livros como A Interpretação dos Sonhos -, que ocorria
desde o começo da década de 50.
Os estudos que vêm sendo publicados desde a virada do milênio e
os novos livros programados para chegar às prateleiras neste ano
reabilitam os pensamentos de Freud. Para ele, as imagens durante o
sono simulavam nossos desejos e nos protegiam contra a dor e os
traumas passados. Essas pesquisas também defendem a utilidade dos
sonhos em ajudar a resolver problemas do cotidiano e organizar
ideias, como aconteceu com McCartney.
revista Galileu de maio/2009.
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